domingo, 15 de janeiro de 2012

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o espaço que me é reservado
nesse pátio mundano
é comum

então só a noite e sua amplitude oculta
crava as balas que preciso
para provar que carne da mente causa
o que raro causa:

tudo no pouco que excede o comum
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sábado, 26 de março de 2011

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vejo que até a solidão
currou esse sítio

mas o que preciso ver
não tenho conseguido
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

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eu via mulher
descia mata
seguia nada de luz

eu queria mulher
apenas da trilha
da mata sem luz

tenho-a aqui
aqui nas letras
nada mais

e isso era meu
apenas
tudo seu bem agora

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

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tentei vela
...........ela disse não escuro
..............................não mostra
mas canto luz qualquer que necessitar

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

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eu os crio
alimento
....ensino

depois os temo
.........os enfrento
......os afogo

enfim os resgato

meu demônios

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sábado, 22 de maio de 2010

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ruelas
palavras distribuídas
no pouco do pavimento

e se atrasado chego
poucas horas as tornam
emergenciais

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

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na sala desafinada ela toca
comparo-a com rio no ouvido
e nos calamos

lembro de festas de apenas
uma pessoa
milhões delas

penso se a minha será tão boa quanto
dela com seu violão velho vemos
e desaparece

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

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espelho é texto
...............ordinário
.......extra
para os filhos dele
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domingo, 6 de dezembro de 2009

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noite simples que seria
fechar qualquer janela
angústia uma delas
e compor hendrix
ou debussy
e dormir e dor mira
em dor

acordar depois in existência

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

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FINDINGS

Quiet knife is the moon
mooring on the lake

The one who mourns
is the one who touchs
the sullen silent

Threading cold needles to receive
the lavish lava of dreams;
the touchable typhoons to revere

The rest home
still keeps
lights on

I'm relenting;
I know.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

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notei odeio escrever
já que me revejo
e disso tento sempre
algo válido que não
me compra mais
tão barato

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domingo, 17 de maio de 2009

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hoje meti Cartola na cabeça

o dia começou às quatro

da madruga que esfrega cuíca

dum simum dum passado falso

que nunca mandei brasa

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sábado, 4 de abril de 2009

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nossos ossos
sós

essa arquitetura corporal
lembrada apenas em cemitérios

mas vida mais que explosiva
calçada neles

em cores que só conhecemos
por restos alheios

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sábado, 7 de março de 2009

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porque o som da vitrola incomodava aquela noite. e eu era do contra, preferia uma estação do Uzbequistão, coisa que só vinha a la AM, e as válvulas do rádio deixavam ver um pouco do chão empoeirado. a vitrola, não.

saí da casa. o calor só existia na minha cama. a noite era sempre tão fora de tudo. e nela, pleno berço. caminhei ao redor da casa, percebi que eu poderia sintonizar estação de ruído mínimo. mas era eu quem punha a vitrola.

tornei-me medo de mim. das coisas que queria fazer e não fazia. não, medo das coisas que não fazer e fazia. eu tinha muita vodka, e nenhum gelo, por exemplo. e quantos médicos me proibiram de morrer.

aí voltei e sintonizei a estação. deitei e vi calor laranja das válvulas antigas mostrarem chão imundo. eu deitado. e lá fora da casa era poeirão, mato morto, as estrelas até davam algum sentido. não em mim, por enquanto. mas todas juntas e mortas no berço que eu maquiara como porto-seguro, o rádio, a estação. era a vitrola nem mesmo eu?
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

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daí ela perguntou
afirmou sobre males
solidão em excesso

nunca ótica desse jeito:
mas coisa de espaço livre
explosão num certo inverso

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

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hoje morreu puta que nunca amei
menos conheci

manhã nascerá outra
que nunca eu praxe

e silêncios nossos
nos aumentam

ora...

tenho-as
infinitas

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

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vila na costa beira-mar. impressionado com boa neblina, de verdade uma de reduzir o carro à tartaruga. redizia eu mesmo o perdido, o louco por isolamento. e imaginaria que encontraria a solidão autêntica, em braços de nuvens e rostos animais com cicatrizes e mulheres com cabelos desgrenhados? aí mandei par de ovos, torrada e presunto, cerveja, coisa se quiser conhecer idade do inferno, e o contraste era de foder. eu já gostava dali, eu já queria me afogar no mar, mas tragar um cachimbo com fumo autêntico do porto. um fumo autentico do porto. fumo e afundar. eles até tinham uma sala que servia de biblioteca, com as melhores merdas do mundo. Ei, vocês tem uma biblioteca aqui?, Hahahahahaha. e voltei ao jarro de cerveja que guiara tantos à morte.

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sábado, 31 de janeiro de 2009

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talvez eu me lembre quando quis cabo de laranja interessante a se fazer caneta poética, patética. textos pretensiosos, disparate de qualquer bêbado inexperiente, sem assunto, um humano. e logo pulava pra ela, sexo seguro para bom jorro de gozo. depois, ainda na escalada, livro sendo tocado com a mão cheia do líquido da fração, porque assim que se entretia, olhava para uma mulher que elegia alguma candidata de algo simples que mente percorria e ao mesmo tempo se livrava dos diálogos, aqueles diálogos, bem diálogos, que dum mijo de cão fedia. e recinto se tornava mesmo grande. então conversas, filmes, a europa em comum, os bares nos porões, as boas transas, a cultura, as moedas fortes, o elitismo: todo caminho para chegar à mediocridade do presente (e até nos esquecíamos dos elementos de amargura, que eram tantos). sim, muita.
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sábado, 24 de janeiro de 2009

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e desse jazz de pessoas
na casa cheia de show

vou prum filme de fotografia
de esplêndida solidão

essa festa minha
luz pouca de foto sépia

há espaço para existir

tanto basta
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sábado, 10 de janeiro de 2009

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esgandanhada. visão torta, de louca. cena vinha de antes, uma vez que a vi no banco, folhas bem em volta do banco. secas. fazia ritmo. esmagando-as. esmagando outono. pés mais que ágeis, pois fugira esquecendo mundo de merda. era coisa de se escrever.

daí no sábado me chamou prum prurido almoço, escutar vinil e meter na sala. foi normal. fiquei aliviado.

noite chega, acabo de acordar, pois bebo mesmo quando sou visita, e lá nova cena: canto da sala do porta-guarda-chuvas, encostada no latão, numa posição que diabo algum agüentaria. fui separá-la do latão que cortava carne e achei aquilo que viria mesmo a se complicar, e eu apenas a queria íntegra, na sala, quieta como a sala, como o apartamento quieto no bairro quieto, nós silenciados.

logo não teria mais isso.

no sofá, que deitada ela podia, fiquei nível abaixo. rosto ainda desmaiado. eu, ali, guardião da escrava de remédios para o bem-estar mental, com uma capa de cd, fickle pickle, esticando e cheirando minhas memórias, insueto, entre sem saber quando abandoná-la. sem saber que não conseguiria tentar outro apartamento, outra louca.

ela não acordava, mas sabia que estava bem. estava bem só enquanto dormia. era a benção do inferno.
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